quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

─── sem título


Ela era ávida, sim completamente ávida com a vida. Sonhar não era raridade, era cotidiano.
As ruas daquela cidade, eram seu parque de diversões, o sorriso dela, ah o sorriso dela, a essência daquele pobre lugar, sim era a essência daquele lugar.
Dias de lágrimas, lugares cinza. Sorrisos à toa, arco íris desenhados.
Flor delicada, perfume único, pétalas macias, espinhos sem fim...
Porém, a vida era seu parque... Seu parque de diversões.
Zombava do passado, gritava com o presente e se escondia do futuro.
Queria o tal parque no controle de suas mãos.
Se enganava? Que nunca...?
Acreditava demais? É claro...
Porque assim, como aprendeu que seu sorriso era essência, também aprendeu que as lágrimas são ingredientes. 


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

— Flowers



Costumava guardar o perfume das flores pra si, pois todos os cheiros a sua volta eram nauseantes e não traziam vestígios de lembrança. Gostava dos cheiros que se recordava de coisas boas, daí perfume das flores, era o mais perto que chegava de uma primavera distante, talvez, ou de um perfume específico, até mesmo das lembranças mirabolantes da infância, e claro lembrava os cheiros de pessoas que sempre fizeram bem a sua vida. 




quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

— martírios


Porque você, foi aquele que deixou a estufa do meu coração aberta.
Não deixou despedidas, só meras palavras, em que o vento se encarregou de levar.
Hoje, os dias maus me castigam, não pelas lembranças, mas sim pela dor que todos eles causam... Você, não se importou, você não se importa.
Sua indiferença fez o castigo crescer... Criou forças sobrenaturais.
Todas as longas horas que meus pensamentos te visitaram, todos os momentos que minha vida fez pausa de mim, só para zelar de ti... Aonde jogo esses momentos? Esse sempre de segundos, que você enchia a boca pra falar, dizia que o mundo era perfeito, desde que estivéssemos juntos, só que não exitou em deixar, o que jurou amor eterno.
Vejo as rotas duplas do meu futuro, e todas tem caminhos com vestígios seus. Me pergunto à que loja levarei esse coração de cicatrizes abertas.
Já pensei em doa-lo, mas à quem? 
Sei que nossas próprias derrotas carregamos com orgulho, seja ela por boa ou má causa.
Não importa...
Enrolei meu corpo na toalha branca que foi esquecida em nosso leito, tomei o caminho de diversas rotas, passos lerdos, pois os vestígios que você deixou foram fortes demais para alguém como eu, caminhei, e caminhei, o caminho não facilitava, cada placa acenava momentos de paz, mas apenas paraíso falso, a toalha pingava, pingava liquido vermelho rubro, continue, tinha medo, mas não parei, chorava, sim chorava muito, pois os pés clamavam por descanso e o coração... Ah o coração era o escudo mais afetado.
Você deixou aqueles malditos espinhos no meu caminho, e o labirinto, porque aquela droga de labirinto, tantos, tantos anos para se libertar.
Estou chegando, e já não quero ouvir sua voz em meu subconsciente, pois são gritos que me estremecem o corpo, sim estou chegando, esses martírios irão acabar, a agonia dos pesadelos que vivo, mesmo acordada, irão acabar, sim, estão acabando... Me procure agora, você verá o meu troféu, corpo se suicidando mas a beira da salvação, vida retomada... Porque você é, e será apenas um fantasma do meu passado.
E fantasmas apenas vagam. 


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

— Estágio De Decadência




Não sentimos saudades, temos pedaços ocos que gritam socorro todos os dias, na verdade, eles dizem que esses pedaços se chamam carência.
Eu chamo de tolice humana, ninguém é 'carente' de sentimentos, ou você precisa ou não. Acredito que os mais rígidos tenham tese melhor. 
Eu... Por enquanto, tenho queda pela rispidez, declaro meu caso como mais um, em um milhão, e único de impossibilidades. 
Ano a ano, eu ouço que o amor é a coisa mais forte, e como uma romântica secreta, eu ainda tenho fé na citação. 
Mas chega uma hora que você começa a crer em conspirações, pois as imagens do seu cotidiano são frustantes. Você vai ter queda pelo fracasso, porque a esperança é realmente uma droga.
CLONES DE SONHADORES.
Hoje sou a estátua, que tudo vê, tudo sente, tudo escuta... Mas ninguém sabe que ela é assim.
Porque afinal, clones de esperança, já estiveram ativos, hoje... Bom, hoje estão vegetando e esperando os tortuosos dias passarem.
Inútil.
O tempo estagnou, em seu coração. 

— Assassinos


Me corrompe e me deixa nu de sentimentos bons, ódio mortal, quero saboreá-lo como deveras. 
Sugar toda essa sua força vital, porque tu me deixastes sem opções. 
Aonde terá ido todo o amor que ofereci pelos dias sadios? 
Fizeram carnificina do meu coração.
Choro sangue pela alma condenada, e bebo o que no copo restou, acho que é veneno, já não sei, mente pede cura, coração amparo... Há quem devo atender?
Estou gelado, pois há anos o ódio me roubou o espírito.
Cego permaneci, todas as curas foram jogadas em abismo, clamo socorro... Mas que socorro alma podre?
Todos na rua, na lama... MERCADO DE PUNIÇÃO.
Me deixaram com esse ódio e agora... Morreram os perdidos, nasceram desolados, irão se pendurar em uma forca qualquer, apenas por liquidação de prazer.
"SERES DO MAL", essa foi nossa última definição, mas acredite, essa é, até, digamos assim, bonitinha, costumamos ter classificações doentes e monstruosas... ASSASSINOS DE ALEGRIA. 
VENDE-SE ALEGRIA!
Podres! Escorias do futuro...
Ódio, mostre a eles seu poder, dilarece seu coração, mas tragam sua energia, pois a minha não tarda a acabar.
As lágrimas de culpa.
MALDITOS...

domingo, 2 de dezembro de 2012

— INSTANTES

ESSE CONTO DE POMBO CORREIO
CADA PARTÍCULA DESSE ANSEIO... 
PELA CURIOSIDADE DE SUA VOZ. 
PLANEJAR ENCONTROS QUE NÃO SE ALTERAM,
BANHAR - ME NA ESCURIDÃO,
POR INSEGURANÇA DE QUE TUDO PARE. 
QUE SEJA ASSIM, ESSA INGRATIDÃO;
DE NÃO SONHAR CONTIGO,
SÓ POR NÃO CONHECER A VOZ,
DESSE MISTERIOSO CORAÇÃO.



— sem título




Dilacerar esse pedaço de carne sentimental, recuperar a força vital que as veias sugaram...
DESMORONAR.
Porque nenhum soldado que vai à guerra, sai dela completamente intacto.
Respirando com dificuldade.
Porque restos de vidas passadas, também se acumulam. 
Como se libertar, se essa sentinela apenas clama por um último adeus?

— Do meu percurso.




Essas pessoas que viveram minha vida, que diziam palavras bonitas... Hoje, fachos de luz acessos em meus caminhos... FACHOS DE LUZ.
Monstros que me rodeavam, esboçavam sorrisos como criaturas mágicas... O que não sabiam, é que eram plásticos queimados.
Deixaram sonhos em minhas portas, e promessas... Bom, promessas ainda ecoam em meus ouvidos. 
Aquele porta retrato de porcelana, era mesmo de porcelana, tamanha era a fragilidade desse tecido que chamam de "amizades".
Não devemos doar sorrisos à ladrões de sonhos, pois, hoje, o café amargo que me sirvo nesse quarto escuro já foi compartilhado com muitas línguas imundas... 
Do que me adiantou esse frágil amor, se apenas serpentes o receberam? 

— Corpo das porções



Essa esperança fajuta, essa mesma sabe, aquela de duração mínima?
É de doer, e dói muito.
Fico me questionando, à mim dizem que preciso ser guerreira, à outros, me destroem com baldes de desânimo e rejeição.
Não sou pedra lapidada e pronta para olhares fúteis, sou essa esperança que me arrancam sempre.
Tudo bem.
Dizia a música no rádio "QUE NADA IRIA ESTRAGAR MEU DIA"...
E o ser puro em mim, sorriu, mas a frieza manteve a postura, não se deixava abalar facilmente.
Saia para "um dia", "mais um dia", é frustante ver os ladrões de minha frágil esperança em cada esquina, mas pensando bem, se não fosse eles... COMO EU TERIA A TAL DA ESPERANÇA?





— sem título





Grandes, pequenos.
Estranhos ou apenas secos...
Ouvem, todos ouvem.
Buscam...
Mas irão encontrar?
Séculos,
Tormentas, 
Fracassos...
Ou só mera ilusão?
Expectadores da destruição.
SILÊNCIO!
Onde estão?
Aqui... Bem, aqui.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Torturas.


Vida engraçada, sempre subestimada e ameaçada, hoje sorrindo, amanhã se lamentando. 
Comédia maldita!
Sempre me disseram, que para lhe dar com essa danada, a coragem tinha que ser redobrada. 
Vi encantos e cheguei a conhecer o pedacinho do paraíso, mas logo, tudo não passou de olhares perversos, ou quem sabe malícia. 
Tragédia de vida!
As vezes sinto que posso tocar em uma fotografia e ser embalada por lembranças, por vozes, vozes que tinham o dom de ecoar minha gargalhada, deixar por alguns instantes você gozar de maravilhas que não voltam mais, atos de coragem, a liberdade de invadir seu corpo, e o seu olhar criando vida própria. 
Vida louca!
Sentar a varanda, olhar a família e o casal apaixonados que os cercam, a velha senhora contando suas lições. 
Passado!
Aquela montanha que nem você imaginaria...você subiu, respirou e disse:
- Que caminhos à vida em trouxe?
Chorou e fez silêncio.


Contida.



Garota fugida;
Garota silêncio, 
Garota da vida,
dos minutos,dos segundos...
E das estações.
Garota forte,com estilhaços.
Garota de rancor, 
e longos suspiros.
Garota que foi, e que é.
Garota de intensidade,
mas...
Também da lágrima escondida.
Garota do escuro,
Que conversou com a flor;
E desabou.


terça-feira, 26 de junho de 2012

MARILYN MANSON


Os simples, ou esses mesmos.


As pequenas histórias que eu não leio, que eu não converso, que eu não compartilho ... são afundadas no oceano de mistério do meu corpo.
Por todas as lágrimas que lutamos a guardar, é assim que eu faço com o resto.
Afinal sentimentos não necessitam serem mendigados, necessitam ser compreendidos .
E ai, a medida do tempo, seu corpo vai sendo a sepultura dos lamentos, mas não por obrigação, e sim por conforto.
A vida é engraçada, faz questão dos improvisos, e esquece que ficamos à merce de qualquer castigo.
Eu vou andando por ai, sinto o vento e sua direção perdida, vejo as sombras em seus passeios da madrugada... E vejo eu, com o coração batendo mais uma vez, a deriva do que irá sentir.



Desvios.

Espirito atormentado, deixe minha alma em paz, os escárnios da vida já são suficientes ao meu redor, acredite. 
Trago comigo: dores, alegrias, sentimentos, confusões, um simples e envergonhado "Oi", um demorado "Adeus", lágrimas engolidas, sorrisos murchos...doce espírito eu trago comigo uma vida, uma confusão...ou talvez aos seus olhos um mero cotidiano
Eu poderia lhe dizer, ou quem sabe até jogar conversa fora. 
Poderia lhe dizer, todas as vezes que mudei de assunto pra esconder tudo o que sentia, as vezes que fui a um passeio qualquer e confesso que, vesti inúmeras máscaras, só para disfarçar os estilhaços da minha alma, porque realmente nunca entendi alegrias momentâneas. 
Sabe, por aquela fé que me morreu, eu já desprezei o que era para ter abraçado.
Hoje, aqui ... me sobrou você como ouvinte, esta pedra oca em que sento, essa caneta falhada, esse papel amassado, na verdade, acho que ninguém sequer acreditaria que estou aqui. Só aqui.
Enfim ... 
Hoje?
Hoje, estou tomando conta da minha solidão. E ela lhe manda saudações.




What You Want ♪



Book: Sussurro. *-*


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Seguindo.

Há algo mudando na atmosfera, posso sentir que não é só o ar, há lhe faltar.
Talvez os tempo tenham estampado o fracasso constante, mas as vidas estão deixando a merce qualquer tipo de sentimentos. 
Os decaídos já não querem levantar, os fortes te medo constante de continuar. Sem forças, sem sentindo, sem coragem, sem nada ... aonde iremos chegar?
Heróis sangram e seres humanos se matam. Já não há tanta coisa à perder, em meio à tantos escombros mortos. 
Criaturas tolas, frias, alma pesada e passado sofrido ... realmente é tudo que temos a contar? 
Ilusões perdidas e doces, no meio de sobrevivência, mas mesmo sem levantar realmente deverá me guiar, pois assim acredito, sempre acreditei. 
Tudo bem, estou vivendo, para mais um amanhecer caótico, uma longa noite, e um dia que eu sei mais o que esperar ...



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Relíquia de redenção.

Esses conceitos fracassados já estão perdido, não há razão de redenção por escória. 
Somos lembrados que a motivação vem do interior. 
Baboseira? 
 Sou suspeita a dizer ... 
Porque na verdade os vínculos vêem criando as inúmeras esperanças desnecessárias, e iludindo os pobres corações que por se prenderem a imaginação foram despertados por astúcia ou libertação.
Sem esperar vitórias, acordei esperando um pouco da derrota, sem qualquer outra opção, me tiraram tudo sem nenhuma satisfação. 
Estou limitado, me prendendo para não ser arremessada. 
Ô doce espirito imoral, clama por meu nome sem ao menos saber, quem dera ele soubesse que já me perdi, não há mais choro por isso á ti recorri. 
Hoje eu paro, e aqui eu olho, obrigado perfeita escuridão, por não me deixar encontrar com tudo aquilo que me fez chorar. 
E ao deleite da morte iremos nos encontrar, pois não há saída que eu não encontre lá. 




sexta-feira, 8 de junho de 2012

Malditos desejos. Aonde tudo foi parar?


Alegria sentida ou vivida. Não importa, andamos designando como precisão, fazendo as maiores juras, talvez só por emoção. 
Sem muitos atributos, escolhas, princípios ou beleza, andamos a deriva de qualquer cobaia ou o que chamamos de: 
-  pra sempre. 
Hipócritas!
Não fazem valer a pena, estão escutando doces mentiras e tampando a verdade com uma meiga palavra, não querem fazer valer, só não querem se sentir sozinhos. 
Carência demoníaca. 
Sempre precisando de meios, artifícios, um outro, alguma coisa, necessitando ser algo, precisando escutar, precisando sentir desesperadamente ... tão fracos. Tragam as ações, tragam o romantismo morto, tragam o que os humanos transformarão em apenas necessidade, em apenas um contrato que exija um posse em dedos de ambos, tragam as cartas queimadas e trocadas pela era digital, tragam os enormes livros recitados ao suspirar da donzela deitada, tragam de volta os passeios de mãos entrelaçadas e juras apaixonadas, tragam de voltam o respeito, a inocência, por favor ... tragam de volta ... tragam de volta o amor. 
Ações. Eles precisam de ações.
Quantos sonhos e sentimentos desmanchados em lágrimas, aonde foi parar a clemência?  O juri se retira para julgar a causa, mas não estão julgando estão observando. Necessitam de precedentes, e tudo que encontram são meros restos de traições, e ao verem corações entulhados, despacham o conteúdo sem necessidade de encontro a roda do exílio. 
Voltem poetas apaixonados. 
Tragam sua dor, e mostrem o fogo de suas palavras que nunca foram recitadas  ao ouvido da amada. 
Tragam, mas tragam mesmo ... é o amor. 
Status, apenas status. Eles o querem, eles o anceia, matem os status.
Contratos quebrados, alianças na cabeceira, cenas de completa idiotice, corações pelas ruas curando feridas, copos cheios em um balcão qualquer, ainda são remédios, ligações nunca atendidas, mensagens deixadas de lado, mágoas crescentes, olhares desencontrados, possessos, tolos, arrogantes, orgulhosos ... queridas vitimas. 
Aonde estão?  
Se perdendo na multidão. 
Continuem ... 
Almas marchando de encontro ao verdadeiro laço protetor. Corações feridos ainda se encontram, não está tudo perdido ... ainda. 
Mostrem as cicatrizes e verá que são semelhantes, peguem suas mãos, viagem nos olhares, meu amigo flores não são coisas do passado, querida carinho ainda é necessário. 
Não matem a pequena porcentagem, tragam as almas condenadas e ainda refugiadas, o presente a elas pertencem, e precisam levantar os nobres conceitos ... Diga - lhes, sobre os valores da emoção, digam que contratos podem ser quebrados mas ainda existe a renovação, deixe as marcas falarem por si só. 
Não há mal, só querem se encontrar. 
Deixem. 


Liberte ... se liberte para o amor perdido, encontrem ... o encontrem agora. 



Sirenia - The Other Side ♫ ( Tradução )


O Outro Lado 


(Vá embora, minha irmãzinha,
Vá embora para o outro lado)

Há uma luz e uma estrada escura.
Há uma noite e uma esperança que some.
Havia um sonho que, uma vez, foi meu, 
Mas agora parece que passou com o tempo.

Vá embora, minha irmãzinha, 
Vá embora para o outro lado 
(Para o outro lado...) 
Vá embora, minha irmãzinha, 
Vá embora para dentro da noite,
(Onde o tempo parece muito melhor 
Do que esse vazio chamado vida).

 Há uma voz dentro da minha cabeça.
Há uma esperança, agora desde que morreu.
É tudo estranho, confiarei?
Eu ouço você chamando do outro lado. 
(Eu ouço você chamando do outro lado).

Vá embora, minha irmãzinha, 
Vá embora para o outro lado
(Para o outro lado...)
Vá embora, minha irmãzinha,
Vá embora para dentro da noite,
(Onde o tempo parece muito melhor
Do que esse vazio chamado vida).

Eu ouço você chamando do outro lado.

Vá embora, minha irmãzinha,  
Vá embora para o outro lado 
(Para o outro lado...)
Vá embora, minha irmãzinha, 
Vá embora para dentro da noite, 
(Onde o tempo parece muito melhor 
Do que esse vazio chamado vida).



quinta-feira, 7 de junho de 2012

AZAR!


O meu “EU”...


Os anunciadores do presente vêem me incomodando, me insistindo com as perguntas mais retoricas.
Não quero lhes falar, deixar transparecer qualquer vestígio do passado, era algo muito pesaroso, cansativo, monótono. Erros, ações, pesos levados, pecados da alma ou da língua... São todos iguais, né?
E só por um breve momento o perdão era uma coisa de outro planeta. 
E só por um momento sinto vontade de vislumbrar meu eu do passado, conversar um pouco com ele, e lhe dizer o quanto as coisas mudaram, e lhe dizer que coisas boas acontecerão, mas que não investisse em tanta esperança de que pudéssemos levantar e sorrir como se nada houvesse acontecido... Enfim, queria lhe falar, que iriamos ser o nosso melhor, iriamos sofrer com certeza, mas iriam existir anjos, pequenos anjos, que de vez em quando estavam lá... Contar-lhe que o mundo se tornou pior do que a gente imaginava.
Mas a sensação de que tudo cairia em cima desse eu frágil, fez tudo parecer distante. Preferi ficar onde estava aguentar as pontas como desse, e se nada fazia sentido, já não tinha importância, porque daqui pra frente, tudo pioraria, essa era uma certeza que eu não questionava, apenas aceitava.
Cresci com palavras do tipo: - Vai dar tudo certo. Não chore, no amanhã sempre virá os sorrisos. Nada é como a gente quer. Levanta a cabeça. O mundo é assim mesmo.  Você tem que ser forte. Nunca desista... E entre outras milhões de expressões, que quando você ouve, realmente da vontade de acertar uma de direta no individuo.
Tolos!
Querem se fazer os conselheiros, mas mal usam os conselhos.   Urgh'
Quantas vezes eu tive que ouvir um: - vai dar tudo certo.  
E nunca deu certo, pelo menos não por essas palavras. E a gente aprende da maneira mais bruta, que não são doces palavras que curam, que mudam, que fazem a diferença, que transformam, que aliviam ou que prejudicam... São acontecimentos, são ações, são motivações, espelhos, reflexões, garra... Ou simplesmente seu eu interior, que faram de você alguma coisa, que faram sua personalidade suprema e detalhada, que faram de você... Simplesmente você.
Vemos isso, sim vemos.
Os olhos nunca se deixam enganar, pode ser aquilo que você não goste, que mais tarde você irá sentar em uma cadeira qualquer, se pegar lembrando-se de suas vidas anteriores, e sentir repulsa, ou talvez ele seja um espelho, e que você poderia sentir repulsa, mas sentirá satisfação.
Realmente sem motivos, deixamos nossas vidas à mercê.
Destinos? 
Chega a ser engraçado em nossas bocas o pronunciando.
Não é tempo de dizerem o que temos que fazer. É tempo de acreditar em instintos.



sábado, 2 de junho de 2012

O conto de fadas invertido.

A garotinha costumava brincar de barquinho na bacia com água, costumava brincar de olhar pro céu e imaginar que as nuvens eram paraísos mais próximos, gostava de deitar em sua cama e pensar em seu futuro na palma da mão, gostava de achar que o mundo ainda era um conto de fadas, ela gostava... Gostava do cheiro que a vida tinha pra ela. 
A vida passou, o conto de fadas não foi tão encantado quanto imaginava. 
Na história que contavam-lhe, existia um príncipe que sempre resgatava a mocinha indefesa, a história que contavam era sonho, era magia, a história que contavam era de sonho e esperança, eram coisas boas... Mesmo já entendendo o reino do mal em outras meras histórias. 
Teve que substituir os contos de fadas por palavras um pouco mais realistas, e o desejo que tanto tinha de nas nuvens pisar foi substituído pelo desejo sobrevivência... Tentar sobreviver, em seu próprio campo de vivência ou seja em terra firme. 
Às vezes parava e pensava: 
- Como assim o que aconteceu, onde está a inocência que tanto acreditei? 
Mas as perguntas eram ocas, sem respostas.  
Pra tudo que ela olhava, não havia mais vida, não havia mais sonhos, e a lei do mais forte era a que persistia. 
Olhava pros cantos, via as pessoas vivendo monotonamente, com meros sorrisos e cumprimentos afortunados, olhava os olhos ocos das crianças que hoje já não sabiam mais o que era a infância, olhava os amores perdidos, quebrados, partidos, traídos, olhava a sujeira, olhava a desesperança, olhava o dia - a dia ... e nunca mais soube, o que era alegria. 
Seus pais lhe pegavam no quarto conversando com os livros, e olhando a vidraça da janela embaçar em dias de frio e neblina, pegava a filha se isolando e sentindo uma depressão impressionante ... que não necessitava de mais nada, a não ser aquele canto. Os pais haviam desistido do conto de fadas lhe contar, pois mesmo a esperança infinita da linda filha que tinham conquistado, foi arrancada, por acordar é perceber que nada nunca foi, como devia ser.
A menina ganhou o silêncio, a incompreensão, e seus sonhos, mergulhou no mais absoluto sigilo. Andavas pelas ruas, a procura do nunca iria encontrar, pensava e pensava e nunca, nada achava.   
Ela realmente entendeu que a infância ficaria apenas como lembrança, e que entendia o jogo do conto de fadas serem contados : 
- São pequenos paraísos inalcançados , sendo preparados para serem tomados de suas mãos, quando a tudo descobrir ... até você descobrir como tudo realmente funciona. 


E assim ela se perdia ... não em "felizes para sempre" como lhe contavam em sua infância.  Mas nesse mundo, que já não existia paz ... que já não existia muito.  



Retire os danos, e deixe os resultados...

Nunca achei que mudanças fossem como trocar a peça intima usada no dia-a-dia... 
Onde vão simplesmente ocorrendo sem graus de medição, ou sem escolher se será grande ou pequena, ou mesmo escolher se será boa ou ruim... Elas simplesmente ocorrem? 
É engraçado pensar que durante a minha vida eu vi passagens, trajetórias de pessoas que necessitam alguma coisa em específico... Mas por mil e um empecilhos desistem, abrem mão ou nem tentam, preferem a mudança a ter que ver aquilo de frente. 
Somos mesmo assim? 
E o por quê do medo?  
E essa vontade de se esconder sem ao menos tentar, é normal? 
Aleatoriamente à merce de tudo, a esquadra do ser humano aumenta com tantos ciclos de sentimentos, se aglomerando, pedindo espaço e ocupando espaço que já era tomado por outra extensão.
Mesmo na capacidade do óbvio, preferimos o incerto, e por errar... Somos obrigados a recomeçar. Sem caminho, sem leis, sem regras, apenas recomeçando... O tempo todo!
Algo incerto? 
Certamente. 
Ou talvez só mais um dos mil e um planos, que vivemos bolando como método de saída, e todos realmente são uma catástrofe enorme. 
Decidimos pelo alternar, pegamos um pouco dali, outro pouco daqui, sem muita experiência no campo somos forçados a dizer que somos afortunados de tal conhecimento pagão... E ainda assim falhamos, por continuar no caminho das tais mudanças. 
Até que ponto podemos mudar sem afetar, sem provocar danos? 
Acho impossível existir mudança que não geram efeitos dos prós e dos contras.  
São leis concretas. 
Para entrar no final dessa história, é a mesma coisa que você se perder em eras passadas... Por quê você sempre entrará em um portal de dimensões desconhecidas, imaginavelmente sem saídas.   
Enquanto ao que mudamos, ou não mudamos, sabemos que é impossível não existir as benditas mudanças. 
Afinal, do que seriam as pequenas reformas sem as minímas mudanças?   



segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pequeno, 
levante a cabeça.
Mesmo sem ter nenhuma certeza. 
Busque alívio.
Até onde se ouvir um assovio.
Mesmo pelas lamentações, 
Já fomos capazes de prisões. 
Pela fé que você diz ter...
Eu posso jurar que você é melhor,
Do que qualquer um que vai conhecer.
Se o sorriso lhe foi roubado, 
Não se preocupe. 
Beijos virão em forma de contrato.
Mas se às vezes não acreditar, 
Somos inimigos do tempo,
E você é o único que não pode parar...



Trancada.

Detesto te dizer, mas a dor é a única coisa que irá conhecer, mesmo se o mundo mudar e as feridas cicatrizarem, não há devaneios e mudaram os caminhos sem receio.
No cemitério, na madrugada, encontrei a solução, isolei-me do mundo sem a menor proibição e por falta te ter o que dizer, o silêncio depreciativo proporcionou-me prazer. 
O coração cortado esmerou miséria, já não lhe cabia maiores tragédias. 
Aquela moça bonita, mesmo por tudo ter, faltava-lhe, ou melhor já não tinha algo, por falta de acesso aos sentimentos foi escrava durante anos de seus próprios pensamentos. 
A mesma garota de rotina cansativa, e quando era dada a fadiga.
 Sem ter mais o que fazer, do seu corpo de desfez, clamou a todos que a levassem, seja para o céu, terra ou mar, porém ninguém se importava, sua coragem foi maior que qualquer outra, e pelo inimigo que foi o tempo seu coração levou, não foi deixado pelo vento, um canto foi reservado. 
Talvez a pequena rosa deixada entre a sepultura sombria, fosse o limite. 
A menina acreditava no infinito, tanto como seu espírito era bonito. 
Hoje talvez, ninguém entenda aquela dor, de não correr para o mundo e simplesmente se transbordar na dor, talvez chamem-a de louca ou:
- "Ela tinha uma vida toda pela frente"
Mas aquela noite, tudo que ela encontrou foi o alívio.
Condenou-se a pagar sua pequena vida, e mesmo sem ter muitas vezes o que dizer, acabou levando consigo suas maiores palavras... Porque se nem ela acreditava em salvação do que lhe adiantava uma essa tola conclusão?  





quinta-feira, 24 de maio de 2012

Amor, 
Esse devaneio louco, que tanto me mostrou e hoje não me salvou
Amor, 
Esse troço de saudade, lembranças, carinhos e respiração junta...


Ponto final.

Esta doce noite anda perseguindo meus sonhos. As paredes na madrugada mostram o que nem todos vêem, e eu acabo vendo. 
O copo vazio ao lado da cama ainda mostra que andei conversando com a cafeína e lhe falando dos infortúnios. 
O frágil cobertor é incapaz de aquecer o corpo gelado, e por diversas noites clamei aos céus por misericordia em uma oração curta, porém ferverosa. 
Mas tudo que me foi dado, hoje convive comigo... Perfeito silêncio.
Acredite não lhe culpo, pelo contrário... Agradeço pela proteção, pois a criatura perdeu o jogo de palavras.
Não seria necessário requisitos, embora andando sempre em falta diga a solidão que preciso de palavras. E em meio a tentativa de sossego, tudo foi preso, e se um dia deixado, jamais lembrado. 
Buscado das cinzas ao fugir da paixão. 
A tinta da caneta não acabou, pelo contrário, mostrou o que a gente faz com a dor, quando seca-se o amor... 





terça-feira, 22 de maio de 2012

Círculo vicioso.

Alma aprisionada
Já não pode ser libertada.
O tempo vai lhe passar
Mas nada vai mudar...
O sangue que derramou
e na parede escorreu,
todo o passado que pereceu. 
O céu passará,
as folhas cairá...
E nesse gira a gira, 
estou.
Seja aqui ou lá, 
não importa a maneira de retornar. 
Porque no final, 
Tudo vai se apagar.



E foram as suas estações  que largaram em mim um perfume um bálsamo  uma ventania louca uma tempestade fr...