quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Contos.


Ela olhava pela janela com medo do dia que se passava diante dos seus olhos. Caminhava pela casa, mas não sentia-se viva. Era vulto. Era sombra.
Sentou-se a mesa, vendo que o jornal em sua frente a encarava, e perturbavaAs entrelinhas eram como perigosas mensagens. Temia o mundo. 
Se polpava de qualquer sentimento, era menina, mas mulher também, sonhava, acreditava, em algumas vezes pensava em retroceder, porém, continuava... Ah, sua alma... Era viva, ela sabia, sempre soube.
As lembranças eram trapaceiras e loucas, como poderãoA casa da qual soprava ecos, não à deixavam em paz, e de repente parece que até seu coração envelhecera. Aquela espécie de mundo morto era uma coisa de louco mesmo.
O seu coração, em batidas descompassadas, suplicava algo. Ah, coração! Soubestes o quanto foste aventureiro, e o quanto se enchia ao veres sua figura de adoração. Trapaceiro como tu? Não há...
Ela caminha até sua penteadeira, senta em frente a mesma, observa, e nada diz, apenas os pensamentos a tumultuam. Parece conversar intimamente com o espelho. 
Não interrompam!
Não vê? O quanto ela chora? Declama doces memórias, e parece ainda cantar. 
Criatura - és menina!
O que o tempo fez contigo? Se porventura és ele o causador desse mausoléu peçonhento, cuida de ti, o esquece, e não torna-te amargurada. 
Nada animava, nada supria, tudo virou monótomo, mecânico e igual.
Visitam sua casa, menina, pessoas fervorosas, uma família tradicional, vêem a casa vazia, sozinha, e carregada de um ar tão melancólico que o silêncio sobrevêm de forma inesperada, não suportam tamanha atmosfera.
Olham uma penteadeira. Sorriem. É delicada, detalhada. Se aproximam.
Um rústico brilho, porém, o que mais chama a atenção é um papel, dobrado em cima da bela penteadeira, pegam este, rostos de interrogações, questionamentos, suspiram e devolvem o papel no mesmo lugar.
Mas as palavras, aquelas palavras contidas naquele papel os desmancharam pelo resto de suas vidas.
E assim dizia:
- Não sei o que deixo de legado, ou o que se faz da vida, mas aqui estive. A minha partida daqui não é eterna, é passageira, por quê os que leem agora esse bilhete percebem a minha melancolia eterna. 



Saoli.




Obra de: Morgan Weistling

domingo, 21 de julho de 2013

Coisas do tempo.

Creio eu, que muito rápido veio o tempo, saiu atropelando tudo o que via na sua frente, pois a pressa o consumia, mas principalmente, o sufocava. Algumas coisas não deviam ter ficado no meio desse ''louco caminho'', e assim o tempo esqueceu, abandonou, deixou para trás algumas coisas valiosas demais. Coisas que o senhor tempo deveria ter agarrado, trazido consigo e jamais deveria ter abandonado. Mas olhem só, pobre tempo!Esqueceu relíquias, substitui coisas importantes, mudou, alternou, se desfez...Mas não, não, ele devia saber, ele tinha que saber, que certas coisas não podem ser substituídas. Nunca.Jamais. 


Saoli.


Entrelinhas.

Dormi durante meses o seu sono. Agora acordei no meu pesadelo.Hoje disse adeus, e você pediu mais. Suga tudo meu, e não aceita respostas negativas. Quando você disse adeus, deixei levar meu coração, porque ele nunca seria de outro alguém.Agora, o que mais deseja, príncipe ensandecido?Atira erros e cospe momentos sujos nas minhas vestes, atira seu amor, assim, blasfema tuas lembranças, foge clamando por teu saboroso passado, se diz farto e emana decepções. É, isso, deixe-me, amor! Afinal não sou sua, não sou do tempo, não sou do mundo, e eu não pertenço nem a mim mesma. Inclusive, deixe aquela carta que escrevi para você em cima da mesa, apague as luzes de casa e saia. Vá quieto. Eu quero que vá e logo. Vá!Nossa briga foi intensa, nossos anos cansativos e minhas últimas palavras um ultimato. Vá!Guardarei nosso porta retrato, pois eu sei que seu rosto são de mil e uma lembranças. Se perguntarem a você porque tudo acabou, não responda com explicações longas, diga apenas que estamos caminhando por ai, em caminhos diferentes, loucos, mas sem mãos entrelaçadas. Se por acaso ouvir aquela música que um dia nos pertenceu, feche os olhos e dance. Quando encontrar um novo amor, escreva à ela, diga trechos de músicas em seu ouvido, não canse de conversar com ela, evitem brigas, esqueçam brigas, na verdade, a abrace, sempre, e tenha beijos, longos e constantes beijos. 
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Está chovendo, e estou aqui nessa maresia infinita, mas está perfeito assim. Ainda estou com uma camisa sua, esquecida aqui em casa, o cabelo um pouco desgrenhado, os olhos fundos, também estou sentada diante da janela. É um outro dia, e aqui estamos novamente, sem coragem de pedir que volte para buscar algumas roupas esquecidas. Nem vejo tanta importância, só gostaria de falar.Gostaria de falar de amores, e de dores, e de amores, de novo.  Tudo bem, acho que nem o tempo é capaz de levar certas coisas. 

Saoli. 





sábado, 22 de junho de 2013

Procuras.

Um punhado de sonhos, e continuar achando os benditos motivos. As distrações. Seus dias parecem desaparecer diante de você, parecem serem levados, e ainda assim, continuar de pé parece ser um desafio gigantesco. Ouve sobre acontecimentos, grandes revoluções, ouve histórias, o cotidiano, sobre amores, laços, sobre despedidas, e ainda tudo continua muito distante. Você fez trilhos dentro de você, mas esse trem está se movimentando em círculos, e esses círculos são sempre viciosos.Se procura todos os dias, mas aonde você está, mesmo?Flashes de nostalgias, ainda as pessoas vivem perguntando à ti: - O que você quer?Só há uma coisa a dizer: - Eu quero o grito.Os corpos dos gritos contidos, são tantos, já perdi as contas. Escreve tanto sobre esses tais gritos, e não os solta. Vá a um lugar afastado, capture as sensações, feche os olhos, deixe seu interior se desmanchar ali, ali mesmo, esqueça as preces... Infelizmente, agora elas não serão um alívio. Apenas grite! O mais alto que puder. Por quantos anos você conteve tudo isso? Todos os dias, todos os dias era muito, preferia dizer cada instante, era a proporção que lhe cabia, e fora o grito que ainda a enchia, carregava a música.Ajudava a se lembrar que mesmo sua incerta caminhada, a melodia ainda continuava, eternamente ali.  


Saoli. 





Uma canção.

Ando nessa maré de juventude, e me lanço nesse medo da velhice. Esse espetáculo que é a vida, esta instabilidade de emoções. Rasgando sensações.Temo essas memórias que queimam.Flamejantes!As trajetórias que conheci, hoje me cobram algo. Os planos fogem das minhas mãos, voam e depois somem. Vão longe.De repente acho o tempo cruel, mas às vezes sinto me criança e com minhas cambalhotas me lanço a ele. Respiro fundo, constantemente, mas não é o suficiente para me convencer de que estou viva. É tão mecânico.  É oco. Agora ao desvencilhar as palavras dessa caneta, talvez você, nada entenda, e se pergunte o porque de estar lendo tudo isso. Não se preocupe, pois faço a mesma pergunta diariamente.Mas creio que a escrita nunca será exata, há sempre o jogo de sentidos, pessoas e outros sentidos.Tem que se deixa levar.
Porque perdidos, todos nós estamos.


Saoli.


sábado, 20 de abril de 2013

Caos.

Conversam.O vento gélido os cercam e os abraçam.Conversam sobre o caos. Será a vida exatamente esse caos?Param. Se olham por alguns instantes.Eles sabem sobre o caos, conhecem o caos.Cada um a sua forma.Suspiram lamentos de regras impostas mas a noite, o momento, os incita a declamaras falas escondidas.Corações pesados se reconhecem.Rostos próximos, respiração que falha, porém logo se encontra.Beijos trocados,mas ainda sentem o caos. Afinal o sustentam, e mais do que nuncasabem que ele existe em cada lugar   em cada canto.  


Saoli.


Valsa.

Um coração tão gelado, e mesmo assimquero alcança-lo. Um sopro em minhas mãosVocê irá aquecê-las? Corpos que balançam uma melodia simultânea.Leva à um beijoO tempo é mal com esse corações.Leva tudono ritmo mais rápido. Por que tempo?Por que não estagnar? Ali mesmo? Não me importaria.Afinal, corações feridos, tem cicatrizes à compartilhar. 




Saoli.



Pergunta feita na rede social "Ask": - O que você mais quer na sua vida, agora?

Um pequeno monte de sentimentos que tanto me escapa, uma dose de loucuras momentâneas, por quê elas sim, trazem lembranças duradouras, um lar com o meu cheiro de garota maluca, um espaço meu, aquele que deixarei sempre uma cadeira perto da janela, contemplarei a chuva, a brisa, o amanhecer, o pôr-do-sol, o anoitecer, verei o tempo passar lentamente, a minha maneira. O que eu mais quero agora, é que o café não esfrie, nunca, na verdade ele tem sido um ótimo amigo, que sempre exista o livro na cabeceira e outro dentro de mim, que a minha lenda pessoal que é a escrita, não me abandone, jamais, e que este abraço de proteção que me envolvo seja mais duradouro do que eu realmente penso. 



domingo, 14 de abril de 2013

— Substitutos.

Não gritava mais, pois, afinal, o som era tão longe. 
Pensava.. Porém lembranças não eram mais moldadas. 
A fala era um amigo tão distante. Tinha medo de seu próprio sorriso, o esboçava com receio. 
Todos a olhavam estranhamente, olhares de guerra, que a perfuravam,  dilacerava.. Sangrava.
As sensações que tinha, tudo que sentia, não a convencia de que estava viva.. Não.  
Para ela, eram como ilusão de ótica, disfarces, máscaras.. Nem a brisa em seu rosto, o vento gélido, a convenciam do contrário. 
Buscava um mundo que ninguém compreendia afinal aquele coração, ah aquele coração outrora fosse o mais frágil e nobre, hoje não existia coração, era apenas uma caixa, ou o molde de uma. 
O que tanto guarda nessa caixa que substituísse seu coração, assim?  
Todos sabem que não possues mais chave, preferes sorver todo o fragmento da caixa pra si. 
Desistisse. 
Apenas acompanha os passos que a vida lhe dá, não segue, pois gosta de desviar dessa rota insana. 
E as pessoas param no meio dessa caminhada da vida, param e olham para trás, acompanham com os olhos os passos que a menina desviou.. Pensam em sua coragem, querem o mesmo, porém não temem e não sabem da morte mórbida de seu coração.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

─── sem título

As pessoas estão se entregando à um misto de carcaças sobreviventes e uma aleatória desesperança. 
Foi-se o tempo de cumprimentos gracioso, olhares brilhantes e semblantes vivos. 
O presente é um massacre. As vidas, as almas, respiram com dificuldade.
São dias fardados à serem os mesmos.
Queria eu, que essas casas de pedra, recebessem a graça do canto das andorinhas.. Sorririam eles, talvez?
Aprender que essa nossa passagem é assim mesmo, inconstante, mas que sempre da pra contar com um sonho. 
A essência da tristeza... 
Vistão esperança, é o que grita as ruas... É o que grita os corações. 


sábado, 12 de janeiro de 2013

— Em Memórias..

Uma rosa branca, sim, uma rosa branca, à todas essas almas moribundas.
Pétalas de paz à grandes pedras com histórias, onde resumiram à meras datas.
Um minuto de silêncio é pouco, passe horas, passe dias, sinta... Sente?
Deveria eu, estar escrevendo ao vivos, pelos vivos.
Mas as condenadas e pobres almas à quem dirijo essas palavras, aqui também já estiveram.
Só não deixo a melancolia ma levar, pois a pressão de arrependimento, neste lugar é enorme. 
Destinos interrompidos, amores mortos, culpas carregadas, corações pesados, sonhos perdidos, mudanças que nunca verão, planos que ficarão no papel... Ali vejo uma senhora se aproximando do túmulo do seu filho, antiga sepultura, flores recém deixadas, senhora de postura firme, mas de semblante agoniado, aqui, nesse campo de dor, ela joga sua flor, uma rosa branca, tão perfeita, fecha os olhos, talvez imagine estar conversando com seu filho em dias felizes, chora, junta as mãos frágeis  faz uma simples oração, aperta a lapide do túmulo como se fosse o corpo do filho... Vai embora.
E eu aqui, sem perceber, deixei tudo em um papel, imaginando... Escrevi uma dor, uma saudade, um fato, um encontro da alma que vaga e do vivo que chora, escrevi uma perda, um contato ou será que escrevi um discreto momento de carinho? 
Daquele que deixa sua singela homenagem e do outro, que a recebe sem grandes manifestações. 
Aqueles que choram e ninguém vê. 



E foram as suas estações  que largaram em mim um perfume um bálsamo  uma ventania louca uma tempestade fr...