domingo, 14 de abril de 2013

— Substitutos.

Não gritava mais, pois, afinal, o som era tão longe. 
Pensava.. Porém lembranças não eram mais moldadas. 
A fala era um amigo tão distante. Tinha medo de seu próprio sorriso, o esboçava com receio. 
Todos a olhavam estranhamente, olhares de guerra, que a perfuravam,  dilacerava.. Sangrava.
As sensações que tinha, tudo que sentia, não a convencia de que estava viva.. Não.  
Para ela, eram como ilusão de ótica, disfarces, máscaras.. Nem a brisa em seu rosto, o vento gélido, a convenciam do contrário. 
Buscava um mundo que ninguém compreendia afinal aquele coração, ah aquele coração outrora fosse o mais frágil e nobre, hoje não existia coração, era apenas uma caixa, ou o molde de uma. 
O que tanto guarda nessa caixa que substituísse seu coração, assim?  
Todos sabem que não possues mais chave, preferes sorver todo o fragmento da caixa pra si. 
Desistisse. 
Apenas acompanha os passos que a vida lhe dá, não segue, pois gosta de desviar dessa rota insana. 
E as pessoas param no meio dessa caminhada da vida, param e olham para trás, acompanham com os olhos os passos que a menina desviou.. Pensam em sua coragem, querem o mesmo, porém não temem e não sabem da morte mórbida de seu coração.


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