quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

─── sem título


Ela era ávida, sim completamente ávida com a vida. Sonhar não era raridade, era cotidiano.
As ruas daquela cidade, eram seu parque de diversões, o sorriso dela, ah o sorriso dela, a essência daquele pobre lugar, sim era a essência daquele lugar.
Dias de lágrimas, lugares cinza. Sorrisos à toa, arco íris desenhados.
Flor delicada, perfume único, pétalas macias, espinhos sem fim...
Porém, a vida era seu parque... Seu parque de diversões.
Zombava do passado, gritava com o presente e se escondia do futuro.
Queria o tal parque no controle de suas mãos.
Se enganava? Que nunca...?
Acreditava demais? É claro...
Porque assim, como aprendeu que seu sorriso era essência, também aprendeu que as lágrimas são ingredientes. 


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

— Flowers



Costumava guardar o perfume das flores pra si, pois todos os cheiros a sua volta eram nauseantes e não traziam vestígios de lembrança. Gostava dos cheiros que se recordava de coisas boas, daí perfume das flores, era o mais perto que chegava de uma primavera distante, talvez, ou de um perfume específico, até mesmo das lembranças mirabolantes da infância, e claro lembrava os cheiros de pessoas que sempre fizeram bem a sua vida. 




quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

— martírios


Porque você, foi aquele que deixou a estufa do meu coração aberta.
Não deixou despedidas, só meras palavras, em que o vento se encarregou de levar.
Hoje, os dias maus me castigam, não pelas lembranças, mas sim pela dor que todos eles causam... Você, não se importou, você não se importa.
Sua indiferença fez o castigo crescer... Criou forças sobrenaturais.
Todas as longas horas que meus pensamentos te visitaram, todos os momentos que minha vida fez pausa de mim, só para zelar de ti... Aonde jogo esses momentos? Esse sempre de segundos, que você enchia a boca pra falar, dizia que o mundo era perfeito, desde que estivéssemos juntos, só que não exitou em deixar, o que jurou amor eterno.
Vejo as rotas duplas do meu futuro, e todas tem caminhos com vestígios seus. Me pergunto à que loja levarei esse coração de cicatrizes abertas.
Já pensei em doa-lo, mas à quem? 
Sei que nossas próprias derrotas carregamos com orgulho, seja ela por boa ou má causa.
Não importa...
Enrolei meu corpo na toalha branca que foi esquecida em nosso leito, tomei o caminho de diversas rotas, passos lerdos, pois os vestígios que você deixou foram fortes demais para alguém como eu, caminhei, e caminhei, o caminho não facilitava, cada placa acenava momentos de paz, mas apenas paraíso falso, a toalha pingava, pingava liquido vermelho rubro, continue, tinha medo, mas não parei, chorava, sim chorava muito, pois os pés clamavam por descanso e o coração... Ah o coração era o escudo mais afetado.
Você deixou aqueles malditos espinhos no meu caminho, e o labirinto, porque aquela droga de labirinto, tantos, tantos anos para se libertar.
Estou chegando, e já não quero ouvir sua voz em meu subconsciente, pois são gritos que me estremecem o corpo, sim estou chegando, esses martírios irão acabar, a agonia dos pesadelos que vivo, mesmo acordada, irão acabar, sim, estão acabando... Me procure agora, você verá o meu troféu, corpo se suicidando mas a beira da salvação, vida retomada... Porque você é, e será apenas um fantasma do meu passado.
E fantasmas apenas vagam. 


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

— Estágio De Decadência




Não sentimos saudades, temos pedaços ocos que gritam socorro todos os dias, na verdade, eles dizem que esses pedaços se chamam carência.
Eu chamo de tolice humana, ninguém é 'carente' de sentimentos, ou você precisa ou não. Acredito que os mais rígidos tenham tese melhor. 
Eu... Por enquanto, tenho queda pela rispidez, declaro meu caso como mais um, em um milhão, e único de impossibilidades. 
Ano a ano, eu ouço que o amor é a coisa mais forte, e como uma romântica secreta, eu ainda tenho fé na citação. 
Mas chega uma hora que você começa a crer em conspirações, pois as imagens do seu cotidiano são frustantes. Você vai ter queda pelo fracasso, porque a esperança é realmente uma droga.
CLONES DE SONHADORES.
Hoje sou a estátua, que tudo vê, tudo sente, tudo escuta... Mas ninguém sabe que ela é assim.
Porque afinal, clones de esperança, já estiveram ativos, hoje... Bom, hoje estão vegetando e esperando os tortuosos dias passarem.
Inútil.
O tempo estagnou, em seu coração. 

— Assassinos


Me corrompe e me deixa nu de sentimentos bons, ódio mortal, quero saboreá-lo como deveras. 
Sugar toda essa sua força vital, porque tu me deixastes sem opções. 
Aonde terá ido todo o amor que ofereci pelos dias sadios? 
Fizeram carnificina do meu coração.
Choro sangue pela alma condenada, e bebo o que no copo restou, acho que é veneno, já não sei, mente pede cura, coração amparo... Há quem devo atender?
Estou gelado, pois há anos o ódio me roubou o espírito.
Cego permaneci, todas as curas foram jogadas em abismo, clamo socorro... Mas que socorro alma podre?
Todos na rua, na lama... MERCADO DE PUNIÇÃO.
Me deixaram com esse ódio e agora... Morreram os perdidos, nasceram desolados, irão se pendurar em uma forca qualquer, apenas por liquidação de prazer.
"SERES DO MAL", essa foi nossa última definição, mas acredite, essa é, até, digamos assim, bonitinha, costumamos ter classificações doentes e monstruosas... ASSASSINOS DE ALEGRIA. 
VENDE-SE ALEGRIA!
Podres! Escorias do futuro...
Ódio, mostre a eles seu poder, dilarece seu coração, mas tragam sua energia, pois a minha não tarda a acabar.
As lágrimas de culpa.
MALDITOS...

domingo, 2 de dezembro de 2012

— INSTANTES

ESSE CONTO DE POMBO CORREIO
CADA PARTÍCULA DESSE ANSEIO... 
PELA CURIOSIDADE DE SUA VOZ. 
PLANEJAR ENCONTROS QUE NÃO SE ALTERAM,
BANHAR - ME NA ESCURIDÃO,
POR INSEGURANÇA DE QUE TUDO PARE. 
QUE SEJA ASSIM, ESSA INGRATIDÃO;
DE NÃO SONHAR CONTIGO,
SÓ POR NÃO CONHECER A VOZ,
DESSE MISTERIOSO CORAÇÃO.



— sem título




Dilacerar esse pedaço de carne sentimental, recuperar a força vital que as veias sugaram...
DESMORONAR.
Porque nenhum soldado que vai à guerra, sai dela completamente intacto.
Respirando com dificuldade.
Porque restos de vidas passadas, também se acumulam. 
Como se libertar, se essa sentinela apenas clama por um último adeus?

— Do meu percurso.




Essas pessoas que viveram minha vida, que diziam palavras bonitas... Hoje, fachos de luz acessos em meus caminhos... FACHOS DE LUZ.
Monstros que me rodeavam, esboçavam sorrisos como criaturas mágicas... O que não sabiam, é que eram plásticos queimados.
Deixaram sonhos em minhas portas, e promessas... Bom, promessas ainda ecoam em meus ouvidos. 
Aquele porta retrato de porcelana, era mesmo de porcelana, tamanha era a fragilidade desse tecido que chamam de "amizades".
Não devemos doar sorrisos à ladrões de sonhos, pois, hoje, o café amargo que me sirvo nesse quarto escuro já foi compartilhado com muitas línguas imundas... 
Do que me adiantou esse frágil amor, se apenas serpentes o receberam? 

— Corpo das porções



Essa esperança fajuta, essa mesma sabe, aquela de duração mínima?
É de doer, e dói muito.
Fico me questionando, à mim dizem que preciso ser guerreira, à outros, me destroem com baldes de desânimo e rejeição.
Não sou pedra lapidada e pronta para olhares fúteis, sou essa esperança que me arrancam sempre.
Tudo bem.
Dizia a música no rádio "QUE NADA IRIA ESTRAGAR MEU DIA"...
E o ser puro em mim, sorriu, mas a frieza manteve a postura, não se deixava abalar facilmente.
Saia para "um dia", "mais um dia", é frustante ver os ladrões de minha frágil esperança em cada esquina, mas pensando bem, se não fosse eles... COMO EU TERIA A TAL DA ESPERANÇA?





— sem título





Grandes, pequenos.
Estranhos ou apenas secos...
Ouvem, todos ouvem.
Buscam...
Mas irão encontrar?
Séculos,
Tormentas, 
Fracassos...
Ou só mera ilusão?
Expectadores da destruição.
SILÊNCIO!
Onde estão?
Aqui... Bem, aqui.

E foram as suas estações  que largaram em mim um perfume um bálsamo  uma ventania louca uma tempestade fr...