Ela olhava pela janela com medo do dia
que se passava diante dos seus olhos. Caminhava pela casa, mas não sentia-se viva. Era vulto. Era sombra.
Sentou-se a mesa, vendo que o
jornal em sua frente a encarava, e perturbava. As entrelinhas eram como
perigosas mensagens. Temia o mundo.
Se polpava de qualquer sentimento, era menina, mas mulher também, sonhava, acreditava, em algumas vezes pensava em retroceder, porém, continuava... Ah, sua
alma... Era viva, ela sabia, sempre soube.
As lembranças eram trapaceiras e loucas, como poderão? A casa da qual soprava ecos, não à deixavam em
paz, e de repente parece que até seu coração envelhecera. Aquela espécie de mundo morto era uma coisa de louco mesmo.
O seu coração, em batidas descompassadas, suplicava algo. Ah, coração! Soubestes o quanto foste
aventureiro, e o quanto se enchia ao veres sua figura de adoração. Trapaceiro como tu? Não há...
Ela caminha até sua penteadeira,
senta em frente a mesma, observa, e nada diz, apenas os pensamentos a tumultuam. Parece conversar intimamente com o espelho.
Não interrompam!
Não vê? O quanto ela chora? Declama doces memórias, e parece ainda cantar.
Criatura - és menina!
O que o tempo
fez contigo? Se porventura és ele o causador desse
mausoléu peçonhento, cuida de ti, o esquece, e não torna-te amargurada.
Nada animava, nada supria, tudo virou monótomo, mecânico e
igual.
Visitam sua casa, menina, pessoas
fervorosas, uma família tradicional, vêem a casa vazia, sozinha, e carregada
de um ar tão melancólico que o silêncio sobrevêm de forma inesperada, não suportam tamanha atmosfera.
Olham uma penteadeira. Sorriem. É delicada,
detalhada. Se aproximam.
Um rústico brilho, porém, o que mais chama a atenção é um papel, dobrado em cima da bela penteadeira, pegam este,
rostos de interrogações, questionamentos, suspiram e devolvem o papel no mesmo
lugar.
Mas as palavras, aquelas palavras contidas naquele papel os desmancharam pelo resto de suas vidas.
E assim dizia:
- Não sei o que deixo de
legado, ou o que se faz da vida, mas aqui estive. A minha partida daqui não é eterna, é passageira, por quê os que leem agora esse bilhete percebem a minha melancolia eterna.
Saoli.
Obra de: Morgan Weistling