Os anunciadores
do presente vêem me incomodando, me insistindo com as perguntas mais retoricas.
Não quero lhes
falar, deixar transparecer qualquer vestígio do passado, era algo muito
pesaroso, cansativo, monótono. Erros, ações, pesos levados, pecados da alma ou
da língua... São todos iguais, né?
E só por um
breve momento o perdão era uma coisa de outro planeta.
E só por um
momento sinto vontade de vislumbrar meu eu do passado, conversar um pouco com
ele, e lhe dizer o quanto as coisas mudaram, e lhe dizer que coisas boas
acontecerão, mas que não investisse em tanta esperança de que pudéssemos
levantar e sorrir como se nada houvesse acontecido... Enfim, queria lhe falar,
que iriamos ser o nosso melhor, iriamos sofrer com certeza, mas iriam existir
anjos, pequenos anjos, que de vez em quando estavam lá... Contar-lhe que o
mundo se tornou pior do que a gente imaginava.
Mas a sensação
de que tudo cairia em cima desse eu frágil, fez tudo parecer distante. Preferi
ficar onde estava aguentar as pontas como desse, e se nada fazia sentido, já
não tinha importância, porque daqui pra frente, tudo pioraria, essa era uma
certeza que eu não questionava, apenas aceitava.
Cresci com
palavras do tipo: - Vai dar tudo certo. Não chore, no amanhã sempre virá os
sorrisos. Nada é como a gente quer. Levanta a cabeça. O mundo é assim
mesmo. Você tem que ser forte. Nunca
desista... E entre outras milhões de expressões, que quando você ouve,
realmente da vontade de acertar uma de direta no individuo.
Tolos!
Querem se fazer
os conselheiros, mas mal usam os conselhos.
Urgh'
Quantas vezes eu
tive que ouvir um: - vai dar tudo certo.
E nunca deu
certo, pelo menos não por essas palavras. E a gente aprende da maneira mais
bruta, que não são doces palavras que curam, que mudam, que fazem a diferença,
que transformam, que aliviam ou que prejudicam... São acontecimentos, são
ações, são motivações, espelhos, reflexões, garra... Ou simplesmente seu eu
interior, que faram de você alguma coisa, que faram sua personalidade suprema e
detalhada, que faram de você... Simplesmente
você.
Vemos isso, sim
vemos.
Os olhos nunca
se deixam enganar, pode ser aquilo que você não goste, que mais tarde você irá
sentar em uma cadeira qualquer, se pegar lembrando-se de suas vidas anteriores,
e sentir repulsa, ou talvez ele seja um espelho, e que você poderia sentir
repulsa, mas sentirá satisfação.
Realmente sem
motivos, deixamos nossas vidas à mercê.
Destinos?
Chega a ser
engraçado em nossas bocas o pronunciando.
Não é tempo de dizerem o que temos que fazer. É tempo
de acreditar em instintos.

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