quinta-feira, 7 de junho de 2012

O meu “EU”...


Os anunciadores do presente vêem me incomodando, me insistindo com as perguntas mais retoricas.
Não quero lhes falar, deixar transparecer qualquer vestígio do passado, era algo muito pesaroso, cansativo, monótono. Erros, ações, pesos levados, pecados da alma ou da língua... São todos iguais, né?
E só por um breve momento o perdão era uma coisa de outro planeta. 
E só por um momento sinto vontade de vislumbrar meu eu do passado, conversar um pouco com ele, e lhe dizer o quanto as coisas mudaram, e lhe dizer que coisas boas acontecerão, mas que não investisse em tanta esperança de que pudéssemos levantar e sorrir como se nada houvesse acontecido... Enfim, queria lhe falar, que iriamos ser o nosso melhor, iriamos sofrer com certeza, mas iriam existir anjos, pequenos anjos, que de vez em quando estavam lá... Contar-lhe que o mundo se tornou pior do que a gente imaginava.
Mas a sensação de que tudo cairia em cima desse eu frágil, fez tudo parecer distante. Preferi ficar onde estava aguentar as pontas como desse, e se nada fazia sentido, já não tinha importância, porque daqui pra frente, tudo pioraria, essa era uma certeza que eu não questionava, apenas aceitava.
Cresci com palavras do tipo: - Vai dar tudo certo. Não chore, no amanhã sempre virá os sorrisos. Nada é como a gente quer. Levanta a cabeça. O mundo é assim mesmo.  Você tem que ser forte. Nunca desista... E entre outras milhões de expressões, que quando você ouve, realmente da vontade de acertar uma de direta no individuo.
Tolos!
Querem se fazer os conselheiros, mas mal usam os conselhos.   Urgh'
Quantas vezes eu tive que ouvir um: - vai dar tudo certo.  
E nunca deu certo, pelo menos não por essas palavras. E a gente aprende da maneira mais bruta, que não são doces palavras que curam, que mudam, que fazem a diferença, que transformam, que aliviam ou que prejudicam... São acontecimentos, são ações, são motivações, espelhos, reflexões, garra... Ou simplesmente seu eu interior, que faram de você alguma coisa, que faram sua personalidade suprema e detalhada, que faram de você... Simplesmente você.
Vemos isso, sim vemos.
Os olhos nunca se deixam enganar, pode ser aquilo que você não goste, que mais tarde você irá sentar em uma cadeira qualquer, se pegar lembrando-se de suas vidas anteriores, e sentir repulsa, ou talvez ele seja um espelho, e que você poderia sentir repulsa, mas sentirá satisfação.
Realmente sem motivos, deixamos nossas vidas à mercê.
Destinos? 
Chega a ser engraçado em nossas bocas o pronunciando.
Não é tempo de dizerem o que temos que fazer. É tempo de acreditar em instintos.



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