Me deixe falar! Preciso dizer ... Oi, está ai?
A casa de areia e névoa desabou, a prisão se abriu, mas as algemas
continuam apertadas. Diga ao mundo ...
diga, diga ... que ainda estou viva.
Não , não ... não, diga.
Diga que, o ser
que aqui se abitou, se desligou da realidade, mergulhou em águas
negras e nunca mais voltou, diga que ele abriu um buraco grande em seu corpo e
por lá mesmo ficou ... A dor apertou, a vontade morreu, e o mundo não
consolou. Buscou o inesperado, a
tragédia, e desprezou o equilíbrio.
Talvez ele já ande sabendo, como estão as cicatrizes, porque os
devoradores do silêncio não pararam de trabalhar. O tempo lhe tratou de ensinar cuidadosamente,
que nada é pra sempre. Que as amizades ele levou, o passado, ah aquele passado,
que vivia o atormentando.
Não pequeno,
não se perturbe. Vá ... corra ao seu santuário, cave seus pecados, derrame seu
sangue e diga que tentou. A bondade que lhe restou, do nado se secou. A maldade que em seus lhos pertenciam, deu
lugar a falta de esperança, ao ser monótomo e sem ação. A fala que não
compreendia, se habituo há não
compreender, pois já não é de precisão, a inteligência que lhe roubaram ... lhe
foi arrancada a farrapos. O amor que assim o carregava, foi espantado, pra
longe, bem longe. Hoje não se atreve a
dizer, pensar, agir ou mesmo opinar ... vive a vagar, sem escolhas ... sem
opções.
Não há machucados, só retalhos espalhados pelo corpo.
O encontraram
jogado em um banco, as 4h00 da madrugada, aquele que já não sentia, não dirigiu
a palavras, olhava a noite como refúgio, clamava aos céus que resgatassem esse
ser entre muitos, rezava para que o dia não amanhece.
O senhor que assim o encontrou, o olhou e
assim não se queixou.
Deixou o no seu
lugar, e não o perturbou, entendeu que aquele ser, já não estava aqui ... mas
sim, em outra dimensão, em outra oração.

Nenhum comentário:
Postar um comentário