quinta-feira, 10 de maio de 2012

Oração Oca ;


Me deixe falar! Preciso dizer ... Oi, está ai? 
A casa de areia e névoa desabou, a prisão se abriu, mas as algemas continuam apertadas.  Diga ao mundo ... diga, diga ... que ainda estou viva. 
Não , não ... não, diga. 
Diga que, o ser que aqui  se abitou,  se desligou da realidade, mergulhou em águas negras e nunca mais voltou, diga que ele abriu um buraco grande em seu corpo e por lá mesmo ficou ... A dor apertou, a vontade morreu, e o mundo não consolou.  Buscou o inesperado, a tragédia, e desprezou o equilíbrio.  Talvez ele já ande sabendo, como estão as cicatrizes, porque os devoradores do silêncio não pararam de trabalhar.  O tempo lhe tratou de ensinar cuidadosamente, que nada é pra sempre. Que as amizades ele levou, o passado, ah aquele passado, que vivia o atormentando.  
Não pequeno, não se perturbe. Vá ... corra ao seu santuário, cave seus pecados, derrame seu sangue e diga que tentou. A bondade que lhe restou, do nado se secou.  A maldade que em seus lhos pertenciam, deu lugar a falta de esperança, ao ser monótomo e sem ação. A fala que não compreendia, se  habituo há não compreender, pois já não é de precisão, a inteligência que lhe roubaram ... lhe foi arrancada a farrapos. O amor que assim o carregava, foi espantado, pra longe, bem longe.  Hoje não se atreve a dizer, pensar, agir ou mesmo opinar ... vive a vagar, sem escolhas ... sem opções. 
Não há machucados, só retalhos espalhados pelo corpo. 
O encontraram jogado em um banco, as 4h00 da madrugada, aquele que já não sentia, não dirigiu a palavras, olhava a noite como refúgio, clamava aos céus que resgatassem esse ser entre muitos, rezava para que o dia não amanhece.  
O senhor que assim o encontrou, o olhou e assim não se queixou.  
Deixou o no seu lugar, e não o perturbou, entendeu que aquele ser, já não estava aqui ... mas sim, em outra dimensão, em outra oração. 



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