Quarto vazio, paredes ainda guardam a última briga, luz acesa ... mostra que estava presente na ultima cena. Essa música baixinha ecoando, mostra que você a ouviu antes de chorar. O travesseiro em cima da sua cama, mostra o quanto estará lá pra te ouvir novamente, e sim, está com o forro trocado, desde da última vez que ele sentiu o rio salgado o envolvendo.
A coberta ainda esta com seu suor, pelo seu pesadelo da noite passada. Os moveis parados, embrulham as teias de arranha, e tem registrado a sua última marca no rosto, a estante está te observando e oferecendo como pode, o conforto, que ela sabe que você encontra em todas aquelas páginas amareladas e cheirosas.
O espelho no guarda roupa, mostra as ultimas marcas que rolaram pelo seu rosto, e agora faz questão de estar presente. A cozinha te lembra as várias tentativas, de tudo abandonar, a gilete diz que mandou um olá para seus braços, ah o caco de vidro também fez questão, a tesoura diz que mandou lembranças ao seu cabelo, e o lápis de olho diz que lembra a ultima vez que escorreu pelos seus olhos e manchou seu rosto, como um risco preto sobre a neve.
A estrada vazia, e o frio, dizem que precisam te encontrar pra te abraçar forte, como da última vez que você precisou, e a sociedade faz menção a REBELDIA SEM CAUSA.'
Hoje ao fim de tarde, o quarto é o meu desabafo, é calmo, é tranquilo, guarda em segredo ... os meus maiores segredos. E aqui eu estou vivendo esse monologo insistente.
Você partiu, mas as suas ameaças vazias permaneceram, eu chorei e quem me encarou com dó, foi o chão que eu pisava, o canto da parede disse que nada podia fazer, mas não se importa com a fragilidade que meu corpo expunha naquela hora. Sua voz está ecoando no corredor da casa, e diz que voltará para aquela sessão de tortura novamente, e enquanto aguardo a próxima sessão, repouso no silêncio que a depressão me propõe, chamo o vinho pra conversar, e a música pra desabafar, a escrita com certeza vai me repousa, e o chão frio me dar as forças para poder levantar.
Só peço que passe, passe rapidamente ... passe os dias, os anos, levem esse pesadelos e renovem com novos. E digam a perfeição que não me encontre nunca, adotei o ato da imperfeição e ela me mostrou que nem tudo na vida é beleza e estrutura. Chamem os buscadores, e levem essa alma vazia com eles ... e quanto ao funeral, não esbanjarei sofrimento, olharei seu caixão descer lentamente até a cova, pegar a rosa entre os dedos, me aproximar, apertar a mesma em minha mão, deixar os espinhos machucar, com resultado, deixar expor as gotas de sangue em seu caixão, porque será a forma de você ver, toda a minha força vital, que você sugou por toda a minha vida, esperar tudo se acalmar, partir com passos leves, respirar fundo e dizer ... FINALMENTE'
Não sei o quanto expor, mas o rancor ... já não da espaço a nenhum outro sentimento.
E o drama? Não, meu caro, não é drama ...
É A REALIDADE!

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